Minutas do Banxico alertam para riscos inflacionários ascendentes devido ao conflito no Oriente Médio

O Banco do México (Banxico) divulgou suas minutas mais recentes na quinta-feira, em que o conflito no Oriente Médio dominou a discussão do conselho.

Em 7 de maio, o Banxico cortou as taxas em 25 pontos base para 6,50%, sinalizando que o ciclo de flexibilização iniciado em 2024 está encerrado. A decisão não foi unânime, com votação de 3 a 2, sendo que as vice-governadoras Galia Borja e Jonathan Heath votaram para manter as taxas inalteradas.

Todos os membros do conselho expressaram que os riscos para a inflação estão inclinados para a alta, devido ao conflito no Oriente Médio, embora “argumentaram que seu impacto direto na inflação no México tem sido limitado”, revelaram as minutas.

Principais destaques:

  • A MAIORIA DOS MEMBROS DO CONSELHO DO BANXICO NA REUNIÃO DE MAIO CONSIDEROU QUE O EQUILÍBRIO DE RISCOS PARA A TRAJETÓRIA DA INFLAÇÃO PERMANECE ENVIASADO PARA A ALTA
  • TODOS OS MEMBROS DO CONSELHO DO BANXICO DESTACARAM OS RISCOS DE ALTA RELACIONADOS AO CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO
  • A MAIORIA DOS MEMBROS DO CONSELHO DO BANXICO INDICOU QUE A CONTRAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA FOI O RESULTADO DE QUEDAS EM SEUS TRÊS PRINCIPAIS SETORES
  • A MAIORIA DOS MEMBROS DO CONSELHO DO BANXICO MENCIONOU QUE A ATIVIDADE ECONÔMICA NO MÉXICO CONTRAIU NO PRIMEIRO TRIMESTRE NOTAVELMENTE MAIS DO QUE O ANTICIPADO
  • BORJA DO BANXICO: ADOTAR UMA ABORDAGEM CAUTELAR E MANTER A POSTURA DE POLÍTICA ATUAL É ADEQUADO PARA TER MAIS INFORMAÇÕES QUE NOS PERMITAM AVALIAR COM MAIS PRECISÃO A PERSPECTIVA INFLACIONÁRIA
  • HEATH DO BANXICO: A MARGEM ESTREITA PARA CORTES ADICIONAIS DE TAXAS E PARA REDUZIR O DIFERENCIAL EM RELAÇÃO A TAXAS EXTERNAS, JUNTO COM UMA INCERTEZA ELEVADA, JUSTIFICA A PAUSA
  • HEATH DO BANXICO CITOU A INFLAÇÃO NÚCLEO SUSTENTADA, BEM COMO CHOQUES DE PREÇOS, CONFLITOS MILITARES E AJUSTES FISCAIS
  • UM MEMBRO DO CONSELHO DO BANXICO DISSE QUE, COMO A EVOLUÇÃO DOS CHOQUES DE PREÇOS AINDA É INCERTA, OS RISCOS DE ALTA PARA A INFLAÇÃO NA ECONOMIA MEXICANA PERMANECEM CONTIDOS
  • A MAIORIA DOS MEMBROS DO CONSELHO DO BANXICO APONTOU QUE AS CONDIÇÕES DE FOLGA ESPERAM-SE CONTINUAR SE ALARGANDO E REDUZIR AS PRESSÕES INFLACIONÁRIAS

FAQs do Banxico

O que é o Banco do México? O Banco do México, também conhecido como Banxico, é o banco central do país. Sua missão é preservar o valor da moeda mexicana, o Peso Mexicano (MXN), e definir a política monetária. Para isso, seu principal objetivo é manter a inflação baixa e estável dentro dos níveis de meta – no ou perto de sua meta de 3%, o ponto médio em uma banda de tolerância entre 2% e 4%.

Como a política monetária do Banco do México influencia o Peso Mexicano? A principal ferramenta do Banxico para orientar a política monetária é a definição das taxas de juros. Quando a inflação está acima da meta, o banco tenta controlá-la elevando as taxas, tornando mais caro para famílias e empresas tomar emprestado, esfriando assim a economia. Taxas de juros mais altas são geralmente positivas para o Peso Mexicano (MXN), pois levam a rendimentos mais altos, tornando o país um local mais atraente para investidores. Em contraste, taxas de juros mais baixas tendem a enfraquecer o MXN. O diferencial de taxas com o USD, ou como o Banxico é esperado para definir as taxas de juros em comparação com o Federal Reserve (EU), é um fator chave.

Com que frequência o Banco do México se reúne durante o ano? O Banxico se reúne oito vezes por ano, e sua política monetária é grandemente influenciada pelas decisões do Federal Reserve (EU). Portanto, o comitê de tomada de decisão do banco central geralmente se reúne uma semana após o Fed. Ao fazer isso, o Banxico reage e, às vezes, antecipa medidas de política monetária definidas pelo Federal Reserve. Por exemplo, após a pandemia de Covid-19, antes do Fed elevar as taxas, o Banxico o fez primeiro em uma tentativa de diminuir as chances de uma desvalorização substancial do Peso Mexicano (MXN) e prevenir saídas de capital que poderiam desestabilizar o país.

Autor Christian Borjon Valencia FXStreet Analista de mercados, editor de notícias e instrutor de trading com mais de 14 anos de experiência em FX, commodities, índices de ações dos EUA e mercados macro globais.