Iene permanece contido apesar de tom agressivo na perspectiva de política do BoJ

O USD/JPY estende ganhos pelo terceiro dia consecutivo, negociando próximo a 157,70 durante o horário asiático na quarta-feira. A paridade se valoriza porque o Iene japonês (JPY) permanece contido após a divulgação do superávit da conta corrente do Japão, que aumentou para JPY 4.681,5 bilhões em março, contra JPY 3.625,3 bilhões no mesmo mês do ano anterior. Os números superaram as expectativas de mercado de JPY 3.879 bilhões, marcando o maior valor já registrado.

O Sumário de Opiniões de abril do Banco do Japão revelou que os formuladores de política estão considerando novos aumentos de taxas já na próxima reunião, impulsionados principalmente por riscos de inflação ligados à alta dos preços do petróleo.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) recomendou que o Japão utilize principalmente o aumento do imposto sobre consumo para fortalecer sua receita nacional. Na frente monetária, projeta-se que o Banco do Japão (BoJ) eleve as taxas de política de curto prazo para 2% até o final de 2027, embora deva permanecer flexível para modificar o ritmo e o vencimento de suas atividades de compra de títulos caso ocorram distúrbios financeiros ou de mercado. Além disso, a OCDE aconselhou maior disciplina fiscal, sugerindo que o governo limite o uso de orçamentos suplementares a casos de choques econômicos significativos.

A paridade USD/JPY avança porque o Dólar dos EUA (USD) ganha terreno no clima geopolitamente volátil no Oriente Médio após comentários recentes do presidente Donald Trump. Embora afirmando que o Irã está “sob controle”, o presidente alertou para um resultado binário: um novo acordo ou “decimação” total. Em resposta, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, manteve uma posição firme, afirmando que qualquer acordo de paz viável deve incluir reparações, soberania reconhecida sobre o Estreito de Hormuz e o fim completo das sanções dos EUA.

Além disso, o Dólar pode receber apoio, pois o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, mais quente que o esperado, reforçou o sentimento agressivo entre os investidores, sinalizando que o Federal Reserve (Fed) provavelmente manterá taxas de juros elevadas para combater as pressões inflacionárias persistentes.

O Bureau of Labor Statistics relatou na terça-feira que o CPI de abril subiu 0,6% mês a mês, elevando a taxa de inflação anual para 3,8%, seu nível mais alto desde maio de 2023. O CPI subjacente, que exclui custos voláteis de alimentos e energia, também subiu, com alta anual de 2,8%.