USD/JPY recua com força dos payrolls dos EUA, mas ameaças de intervenção no Iene mantêm pressão

O USD/JPY recuou na sexta-feira e negocia próximo a 156,65, com queda de 0,17% no dia, apesar da divulgação de um relatório de emprego dos EUA mais forte que o esperado. Os mercados permanecem cautelosos com o risco de novas intervenções das autoridades japonesas, o que impede o par de ganhar tração acima do nível psicológico de 157,00.

Dados do Bureau of Labor Statistics (BLS) mostraram que os Nonfarm Payrolls (NFP) dos EUA aumentaram 115 mil em abril, bem acima da expectativa de mercado de 62 mil. A revisão do dado de março também foi positiva, subindo para 185 mil ante os 178 mil divulgados anteriormente. A taxa de desemprego manteve-se estável em 4,3%, alinhada às previsões.

No entanto, o crescimento médio salarial horário ficou em 3,6% em base anual, abaixo da projeção de 3,8%, limitando o suporte ao dólar. O Dólar dos EUA (USD) segue sob pressão, perdendo 0,38% no dia para 97,90.

O iene japonês (JPY) também continua se beneficiando dos riscos persistentes de intervenção de Tóquio. O diplomata cambial japonês, Atsushi Mimura, reiterou na quinta-feira que as autoridades não têm “limites” quanto à frequência de intervenções destinadas a apoiar a moeda. Ele afirmou ainda que mantém contato diário com as autoridades dos EUA para conter movimentos especulativos no iene.

Os mercados focam nas intervenções em grande escala realizadas pelo Ministério das Finanças do Japão desde o final de abril. De acordo com a Reuters, o Japão pode ter gasto mais de 5 trilhões de ienes em sua primeira intervenção após o USD/JPY ultrapassar o patamar de 160,00.

A MUFG acredita que essas operações podem ter impacto limitado a longo prazo sem uma mudança mais agressiva na política monetária do Banco do Japão (BoJ). O banco observou que os dados recentes de crescimento salarial e inflação no Japão permanecem relativamente fracos, o que pode reforçar a postura cautelosa do BoJ, apesar das expectativas persistentes de um aumento de taxas em junho.

Na frente geopolítica, as tensões entre os Estados Unidos e o Irã no Estreito de Hormuz também sustentam a demanda por refúgio. O presidente Donald Trump afirmou que o cessar-fogo permanece em vigor, enquanto as autoridades iranianas continuam a revisar uma proposta dos EUA destinada a encerrar o conflito.