Prata perde fôlego: Reação do XAG/USD enfrenta barreira de juros restritivos

A prata (XAG/USD) apresenta um movimento de alta nesta quinta-feira, sendo negociada em torno de $73,40, com uma valorização de 2,81% no dia. O ativo tenta estabilizar após uma fase de correção acentuada e a rejeição técnica próxima à barreira psicológica de $80 observada em meados de abril.

Apesar do repique, o cenário macroeconômico permanece desafiador. A persistência dos preços do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, mantém as preocupações inflacionárias no radar. Essa dinâmica reforça a tese de que os bancos centrais manterão políticas monetárias restritivas por um período prolongado, o que reduz a atratividade de ativos non-yielding (que não pagam juros), como a prata.

O Federal Reserve (Fed) corroborou essa postura cautelosa ao manter as taxas de juros inalteradas na última quarta-feira. O comitê destacou a incerteza sobre a trajetória da inflação, especialmente devido aos custos elevados de energia. Tal posicionamento fortalece a expectativa de que as condições financeiras permanecerão apertadas, podendo sofrer novos ajustes caso as pressões inflacionárias não cedam.

Analistas do OCBC observam que o momentum de alta da prata enfraqueceu visivelmente após a falha em romper os $80. Segundo o banco, a correção recente reflete tanto a realização de lucros quanto um cenário menos favorável, marcado pela valorização do dólar americano (USD) e pela curva de juros resiliente.

Além disso, a natureza dual da prata — como ativo de refúgio e metal industrial — adiciona volatilidade extra. Incertezas sobre o crescimento global e a demanda industrial, particularmente no setor fotovoltaico, limitam posições compradas mais agressivas por parte dos investidores.

No médio prazo, o balanço de riscos continua inclinado para o lado negativo, enquanto as condições monetárias permanecerem restritivas e a inflação global mostrar resistência.