Estrategistas do Commerzbank relatam que o ouro tem enfrentado pressão diante da alta nos preços do petróleo e da mudança nas expectativas em relação às taxas de juros nos EUA, chegando a cair brevemente abaixo de USD 4.500. Embora os dados do Conselho Mundial do Ouro (WGC) mostrem uma demanda robusta por parte de bancos centrais e investidores, o banco alerta que um bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz eleva os riscos de queda, com pouco espaço para valorização mesmo em caso de uma trégua no Oriente Médio.
Demanda por investimento compensa ventos contrários no macro
“O preço do ouro sofreu nova pressão após a alta do petróleo, o que também elevou as expectativas de juros nos EUA. Em março, o mercado mudou temporariamente a perspectiva de cortes de juros para precificar até mesmo uma possível alta. Como resultado, o ouro caiu em alguns momentos abaixo de USD 4.500 por onça troy”, afirmam os analistas.
Segundo o banco, quanto mais tempo durar o bloqueio do Estreito de Ormuz, maiores tendem a ser os riscos de downside para o metal. Por outro lado, o mercado deve reagir com cautela na ponta de compra diante de qualquer aproximação diplomática entre EUA e Irã, dado que sinais recentes nessa direção frustraram as expectativas rapidamente.
Perspectivas e fundamentos
Fundamentalmente, o WGC vê a demanda por ouro bem sustentada por fatores geopolíticos. Esses elementos devem continuar impulsionando as compras de bancos centrais, a demanda por ETFs de ouro e a busca por barras e moedas.
“Concordamos com essas avaliações, desde que — ao contrário do cenário atual — as partes em conflito no Oriente Médio cheguem a um acordo. Nesse caso, o Estreito de Ormuz provavelmente voltaria a ser navegável gradualmente, o que arrefeceria os preços do petróleo e os riscos inflacionários, reduzindo consequentemente o risco de contra-ataques por parte dos bancos centrais”, conclui o Commerzbank.

