BCE sob pressão: Choque energético pode complicar alta de juros em junho, alerta Deutsche Bank

Economistas do Deutsche Bank projetam que o Banco Central Europeu (BCE) manterá sua taxa de depósito inalterada em 2%, mesmo com o mercado precificando integralmente um aumento para a reunião de junho devido à exposição energética da região. O argumento principal é que a incerteza sobre os preços do petróleo e o pass-through inflacionário forçará o BCE a manter uma hawkish optionality.

A instituição deve enfatizar uma abordagem meeting-by-meeting (reunião a reunião), especialmente no momento em que os inflation swaps do Euro e os rendimentos dos Bunds atingem máximas de vários anos.

Taxas inalteradas, mas com viés de alta

“Para o BCE, a expectativa consensual é de manutenção da taxa de depósito em 2%. Contudo, dada a vulnerabilidade da Europa ao choque energético, os mercados já precificam totalmente uma alta na próxima reunião de junho. A questão hoje é se o BCE validará essa visão”, afirmam os analistas.

A equipe de economia europeia do banco acredita que ainda há muita incerteza sobre a trajetória dos preços de energia e como isso se propagará na inflação subjacente. Por isso, o BCE deve preferir coletar mais dados antes de se comprometer com uma decisão para junho. Enquanto isso, a autoridade monetária deve manter o tom hawkish e a flexibilidade decisória.

Reação do mercado e rendimentos

O cenário já reflete nos indicadores: o inflation swap de 1 ano do Euro subiu 23,3 bps, atingindo a máxima de três anos em 3,87%. Atualmente, os mercados precificam um total de 83 bps em aumentos de juros pelo BCE até a reunião de dezembro, um avanço de 10,9 bps no dia.

Esse movimento impulsionou os yields em todo o continente. O rendimento do Bund de 10 anos subiu 4,3 bps, fechando em 3,11%, o nível mais alto registrado desde 2011.