Dólar em alerta: ING projeta tom hawkish de Powell em meio a tensões e balanços de tech

O dólar apresentou uma recuperação nas últimas 24 horas, impulsionado por uma combinação de instabilidade nas bolsas americanas e a persistência de tensões geopolíticas. Segundo Francesco Pesole, estrategista do ING, o nervosismo em torno das negociações entre EUA e Irã e as incertezas no setor de tecnologia, ligadas à Inteligência Artificial, favoreceram o rebote do USD.

Fed e o fator inflação

O grande catalisador do dia é o anúncio da taxa de juros pelo Federal Reserve. Embora o aumento nos preços de combustíveis e passagens aéreas esteja empurrando o CPI dos EUA de volta para a casa dos 4%, o Fed tem tratado o movimento como um choque de oferta transitório, e não como uma espiral inflacionária de demanda.

No entanto, Pesole alerta que Jerome Powell, em sua provável última coletiva de imprensa, pode adotar um tom mais hawkish. O risco é que o BC americano sinalize que ainda é cedo para declarar vitória sobre a inflação, especialmente com o cenário deteriorado no Oriente Médio.

Impacto das Big Techs e fluxos de mercado

Uma eventual surpresa hawkish do Fed poderia ser potencializada por uma reação negativa nas equities. O mercado aguarda os resultados financeiros de gigantes como Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta, que servirão como um termômetro crucial para o apetite ao risco.

Apesar da recuperação recente do dólar ter sido breve, possivelmente influenciada por fluxos de fechamento de mês, o cenário permanece volátil. O mercado monitora de perto os desdobramentos no Estreito de Ormuz, após relatos de que o governo Trump estaria preparando um bloqueio prolongado na região, o que pode manter a pressão sobre as commodities e sustentar a busca por ativos de segurança.