BC do Chile interrompe ciclo de cortes e mantém taxa em 4,50% sob sombra de choque no petróleo

O Banco Central do Chile (BCCh) decidiu manter a taxa básica de juros em 4,50% em uma decisão unânime. O conselho da autoridade monetária citou o agravamento do conflito no Oriente Médio como um fator determinante que pesa sobre as perspectivas da política monetária.

O banco observou que o impacto da guerra na economia global tem se mostrado mais adverso do que o cenário central estabelecido em seu Relatório de Política Monetária (IPoM) de março. Além disso, alertou que uma nova escalada aumenta o risco de uma inflação mais persistente, acompanhada de uma desaceleração econômica global mais acentuada.

A diretoria sinalizou especificamente o risco de que um conflito prolongado possa manter os preços do petróleo bruto elevados por um longo período. Esta é uma preocupação particular para uma economia pequena e aberta como a chilena, que possui uma exposição substancial a choques de custos externos através do canal de importação de energia.

A manutenção deixa a política chilena em modo de espera (wait-and-see), enquanto as autoridades avaliam a desinflação já evidente nos dados domésticos frente aos novos riscos de choque de oferta. Espera-se que o próximo IPoM trimestral revise materialmente as premissas externas, dada a rapidez com que o cenário se deteriorou desde março.

Destaques do BCCh:

  • Tensões no Oriente Médio elevam o risco de inflação persistente e desaceleração global.
  • Impacto do conflito é mais severo do que o previsto no relatório de março.
  • Risco de preços de petróleo sustentados em patamares altos.
  • Taxa de juros mantida em 4,5% por decisão unânime.