O Bank of Japan (BoJ) optou por manter sua taxa de juros em 0,75% na última reunião, mas o relatório de perspectivas trouxe sinais claros de que o ciclo de aperto monetário está longe do fim. Segundo análise de Alvin Liew, do United Overseas Bank (UOB), a autoridade monetária sinalizou que o próximo movimento será uma elevação nas taxas, dado que a inflação subjacente se aproxima da meta e os juros reais permanecem em níveis excessivamente baixos.
Projeções de CPI em alta e normalização cautelosa
O forward guidance do banco central japonês foi sutilmente hawkish. O BoJ revisou drasticamente para cima suas projeções para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e agora enxerga riscos de crescimento inclinados para baixo, enquanto os riscos inflacionários estão enviesados para cima, especialmente para o ano fiscal de 2026.
De acordo com o relatório de perspectivas (Outlook), o banco afirmou que, “dado que a inflação subjacente do CPI tem se aproximado de 2% e as taxas de juros reais estão em níveis significativamente baixos, o Banco continuará a elevar a taxa de juros básica e a ajustar o grau de acomodação monetária”.
Foco no longo prazo e dependência de dados
Embora o mercado antecipe novas altas, o BoJ evitou fornecer um cronograma preciso ou indicar qual seria a taxa terminal preferida. A projeção é que a inflação subjacente suba gradualmente para atingir níveis consistentes com a meta de estabilidade de preços de 2% entre o final do ano fiscal de 2026 e 2027, permanecendo estável após esse período.
A decisão de manter os juros por ora foi tomada por uma maioria de 6 a 3, uma mudança significativa em relação ao placar de 8 a 1 da reunião anterior. Esse racha no comitê reforça a percepção de que mais formuladores de política estão migrando para o campo que defende o aumento das taxas (hike), priorizando o combate aos riscos inflacionários em detrimento das preocupações com o crescimento econômico.


