Jester Koh, estrategista do United Overseas Bank (UOB), destacou que a produção industrial de Singapura registrou um crescimento robusto em março, elevando as estimativas para o PIB do primeiro trimestre de 2026 (1Q26). Segundo Koh, a produção resiliente de eletrônicos e semicondutores, impulsionada pela demanda global relacionada à Inteligência Artificial (IA), está amortecendo a fraqueza no setor químico, especialmente em petróleo e petroquímicos.
Resiliência de eletrônicos vs. fragilidade petroquímica
A produção industrial (IP) de Singapura saltou 4,7% m/m (ajustada sazonalmente) e 10,1% a/a em março. Com isso, o crescimento da manufatura no 1Q26 fechou em fortes 7,9% a/a, superando os 5,0% das estimativas preliminares. Mantendo-se constantes os dados de construção e serviços, o UOB projeta uma revisão para cima no PIB do 1Q26, de 4,6% para cerca de 5,2% a/a.
No comparativo mensal, o resultado foi liderado por um avanço de 5,7% m/m em eletrônicos e um salto de 21,8% m/m em engenharia de precisão. O segmento de semicondutores continua a ser o principal motor, beneficiado pelos tailwinds da IA, enquanto a engenharia de precisão refletiu a maior produção de instrumentos ópticos e componentes para equipamentos de semicondutores.
Por outro lado, o setor de produtos químicos sofreu uma queda drástica de 18,5% m/m em março, puxado por derivados de petróleo (-13,4%) e petroquímicos (-23,9%). O Economic Development Board (EDB) atribuiu o declínio a “interrupções no fornecimento de matéria-prima” (feedstock). Relatos de mercado indicam que refinarias na Ásia estão reduzindo a carga de processamento, com algumas declarando force majeure.
Perspectivas
O UOB alerta que os ventos contrários no segmento petroquímico podem se intensificar nos próximos meses, à medida que as refinarias esgotam seus estoques limitados de insumos. No entanto, a produção industrial agregada deve permanecer sustentada pela robustez dos semicondutores e eletrônicos.


