Estrategistas do MUFG apontam que o par EUR/USD recuou para o meio do range de 1.1400–1.2000, enfrentando ventos contrários derivados do choque energético no Oriente Médio e de dados de PMIs mais fracos na Zona Euro. A expectativa é que o Banco Central Europeu (BCE) adie o início do ciclo de aperto para junho, com uma alta total projetada de 50 bps, o que gera uma divergência de política monetária no curto prazo em relação ao Federal Reserve.
Choque energético impacta as perspectivas do Euro
O Euro perdeu o momentum de alta na última semana, com o EUR/USD e o EUR/GBP caindo abaixo de 1.1700 e 0.8700, respectivamente. A correção no EUR/USD ocorre após um rali que havia revertido as perdas iniciais do conflito no Oriente Médio, atingindo o pico de 1.1849 em 17 de abril. Agora, o par retorna ao centro do canal de negociação estabelecido desde junho do ano passado.
A recente desvalorização da moeda comum parece ser motivada por uma combinação de fatores, incluindo a falta de progresso nas negociações entre EUA e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz. Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, mais disruptivo será o choque nos preços de energia para a economia europeia, reforçando o cenário de baixa para o EUR.
Cenários do BCE e divergência com o Fed
O BCE delineou três cenários para a economia: base, adverso e severo. Recentemente, a presidente Christine Lagarde afirmou que a economia da Zona Euro está posicionada entre o cenário base e o adverso. Embora os preços de energia ainda não tenham atingido níveis que empurrem a região definitivamente para o cenário adverso, a incerteza persiste.
“Continuamos esperando que o BCE entregue um total acumulado de 50 bps em altas de juros, embora o timing do primeiro ajuste deva ser adiado para junho”, afirmam os analistas do MUFG. Isso cria uma janela de divergência com o Fed, que parece mais inclinado a ignorar a volatilidade momentânea dos preços de energia. No entanto, o estreitamento dos yield spreads tem oferecido algum suporte ao Euro, mitigando a força do dólar frente ao choque energético.



