Petróleo: Bloqueio no Estreito de Ormuz mantém riscos inflacionários no radar, alerta MUFG

Derek Halpenny, do MUFG, associa o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz à escalada nos custos do petróleo e de insumos básicos, com os preços de combustíveis e produtos agrícolas já apresentando forte alta. O analista projeta que o petróleo bruto manterá uma média de USD 115 no segundo trimestre, o que deve impulsionar a inflação nos EUA para a casa dos 3,8% ainda este ano.

Este cenário ameaça elevar a volatilidade nos mercados globais e coloca pressão sobre os bancos centrais para uma resposta mais rigorosa.

Bloqueio em Ormuz e premissas para o óleo bruto

“O foco agora está totalmente voltado para o Estreito de Ormuz e na pressão sobre o Irã para que mude sua posição. No entanto, o Irã sabe que há um limite de tempo para os EUA, e o impacto inflacionário do fechamento terá reflexos globais e domésticos prejudiciais para o governo americano”, afirma Halpenny.

O especialista destaca que a tolerância do Irã ao cenário adverso pode ser considerável, prolongando o impasse. Nesse contexto, os preços do petróleo podem atingir novas máximas em breve, gerando maior instabilidade financeira.

Impacto nos insumos e setor agrícola

Relatórios recentes destacam o impacto severo no setor agrícola dos EUA, onde altas recordes de preços já são registradas. O preço do fertilizante nitrogenado subiu mais de 30%, enquanto a ureia saltou 47%, um aumento histórico. O diesel agrícola acumula alta de 46%, variações que inevitavelmente serão repassadas aos preços dos alimentos para o consumidor final.

“A tendência é que esses preços piorem nas próximas semanas caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado. Nossa premissa de petróleo a uma média de USD 115/bbl no 2º trimestre elevaria a inflação anual para cerca de 3,6% no período, atingindo entre 3,8% no 3º e 4º trimestres deste ano”, projeta o MUFG. O banco ressalta, ainda, que o impacto sobre combustíveis refinados e fertilizantes pode tornar essas estimativas conservadoras.