O par USD/JPY continua sua trajetória de alta, aproximando-se da barreira psicológica de 160,00. Segundo Derek Halpenny, do MUFG, o cenário é agravado por tensões geopolíticas e o bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz, que elevam os riscos inflacionários globais. Ele alerta que uma postura dovish do Banco do Japão (BoJ) na próxima semana pode atuar como gatilho para novas vendas da moeda japonesa.
Foco no BoJ e na determinação do Ministério das Finanças
Embora não sejam esperadas mudanças nas taxas de juros pelos principais bancos centrais na próxima semana, o mercado projeta que o cenário possa mudar até junho. O BoJ se reunirá na terça-feira e a expectativa consensual é de manutenção da política atual. No entanto, o tom da comunicação é o grande risco: se o BoJ falhar em sinalizar aperto, o USD/JPY pode romper decisivamente os 160,00, testando a disposição do Ministério das Finanças (MoF) em intervir.
O Ministro das Finanças, Katayama, reforçou recentemente que o MoF está pronto para tomar “medidas ousadas” contra movimentos especulativos, destacando a coordenação estreita com os EUA. Contudo, o mercado questiona a eficácia de intervenções isoladas se os fundamentos não mudarem.
Taxas reais negativas e o fator Ueda
A coletiva de imprensa do Governador Kazuo Ueda será crucial. Existe a percepção de que o governo japonês prefere manter a política frouxa, mas a inflação crescente coloca essa estratégia em xeque. O mercado já precifica cerca de 18 pontos-base de aperto para a reunião de junho, o que torna um tom hawkish essencial para estabilizar a moeda agora.
Com a taxa de juros real profundamente negativa, o incentivo para o carry trade e a venda de Iene permanece forte. Se o BoJ se mantiver à margem enquanto a inflação sobe, enviará um sinal claro de que o pano de fundo fundamental de fraqueza do JPY permanece intacto.


