O Produto Interno Bruto (PIB) da Coreia do Sul registrou um salto de 1,7% no 1T26 em termos trimestrais (QoQ), superando as expectativas graças às fortes exportações de chips e investimentos massivos em Inteligência Artificial (IA). Diante do desempenho, o ING revisou sua projeção de crescimento para 2026 de 2,0% para 2,8% YoY.
Recuperação em ‘K’ e desafios na manufatura
Apesar do otimismo inicial, a economista sênior do ING, Min Joo Kang, prevê uma desaceleração no 2T26. O setor manufatureiro enfrenta interrupções no fornecimento de energia, afetando especialmente os segmentos petroquímico e industrial. Mesmo com medidas do governo, como a proibição temporária de exportação de nafta e a diversificação das importações de óleo e gás para além do Oriente Médio, a capacidade plena de produção segue comprometida.
“Prevemos que o forte momentum dos chips continuará, mas as disrupções energéticas prolongadas podem prejudicar a produção e desestimular investimentos em IA. Se isso ocorrer, a economia coreana pode ser mais afetada que outros pares globais devido à sua dependência extrema da indústria de semicondutores”, destaca o relatório.
Pressão inflacionária e o fenômeno da ‘chipflation’
A inflação mensal deve acelerar, com o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) projetado para subir pelo menos 0,7% MoM em abril. Segundo o ING, esse movimento não é apenas reflexo dos custos de energia, mas também da chamada “chipflation” — a inflação derivada da alta de preços e demanda no setor de chips.
Política Monetária: BoK em modo Hawkish?
A recuperação econômica em formato de “K” coloca o Bank of Korea (BoK) em uma posição delicada. Contudo, o ING acredita que o mandato de metas de inflação prevalecerá. Com o PIB crescendo acima do potencial e as expectativas inflacionárias em ascensão, a consultoria mantém a projeção de que o BoK realizará novos aumentos na taxa de juros (hikes) no segundo semestre de 2026.

