Petróleo: Rabobank alerta que mercado de futuros ignora riscos reais de oferta

O estrategista global do Rabobank, Michael Every, emitiu um alerta contundente sobre a atual precificação das commodities energéticas. Segundo o analista, o mercado de futuros estaria subestimando significativamente os riscos reais de oferta decorrentes das tensões geopolíticas envolvendo o Irã e o Estreito de Hormuz.

Gargalos logísticos e o risco de minas

A análise destaca que o conflito na região pode estender o cronograma de normalização do setor de energia. Every aponta que o uso de minas navais no Estreito de Hormuz — uma das rotas marítimas mais vitais do mundo — representa um desafio técnico considerável. A limpeza dessas vias, utilizando tecnologias modernas de drones marítimos, pode levar de semanas a meses, dependendo da extensão da obstrução.

“O mercado de futuros ainda está precificando de forma materialmente baixa o risco real de oferta enfrentado tanto pelo petróleo bruto quanto pelo gás natural”, afirma o estrategista. Essa desconexão pode resultar em pressões altistas que se estenderão até o quarto trimestre de 2026.

Impacto no GNL e no Canal do Panamá

Além do impacto direto nas cotações de crude oil, a guerra envolvendo o Irã está provocando efeitos colaterais em outras rotas globais. Os preços das passagens pelo Canal do Panamá atingiram níveis recordes, chegando a cinco vezes os valores pré-guerra. Esse movimento é impulsionado principalmente por importadores asiáticos de GNL (Gás Natural Liquefeito), que buscam garantir acesso logístico em meio à instabilidade no Oriente Médio.

Para o Rabobank, a combinação de incerteza no Estreito de Hormuz e o aumento dos custos de frete cria um cenário onde a volatilidade deve permanecer elevada, desafiando as projeções mais otimistas de estabilização dos preços de energia no curto prazo.