O estrategista global do Rabobank, Michael Every, alterou o cenário base da instituição em relação ao conflito com o Irã, passando a prever um fechamento mais prolongado do Estreito de Hormuz. O banco alerta para interrupções sustentadas nos fluxos de petróleo e uma elevação nos preços físicos da commodity na Ásia.
Risco de fechamento em Hormuz impulsiona reprecificação de energia
“Nosso novo cenário base geopolítico contempla um fechamento estendido de Hormuz (na faixa de 2 a 4 semanas). No entanto, a probabilidade de uma escala para alcançar essa desescalada é muito alta, o que coloca em risco danos ainda maiores à oferta de energia”, afirma Every.
Enquanto isso, o bloqueio econômico dos EUA ao Irã e o bloqueio de fato de Hormuz pelos iranianos permanecem ativos. Segundo o analista, energia e mercadorias críticas não fluirão por um período maior, resultando em danos econômicos exponencialmente crescentes. Os EUA indicam que intensificarão a Operação ‘Economic Fury’ no mar e via sanções, enquanto o Irã afirma que romperá o bloqueio pela força caso ele persista, o que levaria a uma nova escalada das tensões.
Impacto nos mercados e preços físicos
Sob essa ótica, os mercados têm pouco a comemorar. Os preços do petróleo nas telas apresentaram apenas uma leve retração em resposta à extensão do cessar-fogo pelos EUA, mas o preço do petróleo físico e de seus derivados na Ásia continuará a subir, a menos que Hormuz seja reaberto.
Every destaca que um eventual acordo geopolítico profundo seria um “terremoto” comparável à Crise de Suez de 1956. Se isso ocorresse, poderia ser bearish para o setor de energia, mas deixaria o Irã no controle de Hormuz — ou Israel encarregado de remover o Irã do local, um cenário ainda mais complexo. Além disso, tal desfecho seria negativo para diversos ativos que o mercado ainda não precificou adequadamente.
