Prata recua: tensões no Oriente Médio fortalecem o dólar e elevam apostas por juros mais altos por mais tempo

A prata (XAG/USD) opera em baixa nesta segunda-feira, aproximando-se de 79,75 dólares por onça, com queda de cerca de 1,3% no dia. O recuo ocorre após a prata ter atingido pico de aproximadamente 83 dólares na sexta-feira, enquanto os investidores reavaliam os riscos geopolíticos ligados ao confronto entre os EUA e o Irã.

O humor do mercado continua frágil após o Irã anunciar o fechamento renovado do estreito de Hormuz, rota marítima crucial para quase 20% do abastecimento global de petróleo. A medida surge como retaliação ao bloqueio naval imposto por Washington aos portos iranianos. O fechamento provocou um repique acentuado dos preços de energia, com o petróleo tipo WTI subindo perto de 88 dólares o barril.

As tensões geopolíticas se aprofundaram quando a Marinha dos EUA interceptou e abordou um cargueiro iraniano no Golfo de Omã, ação que Teerã chamou de “pirataria armada”. Em resposta, autoridades iranianas anunciaram que não participariam da próxima rodada de negociações previstas no Paquistão, aumentando as dúvidas sobre a durabilidade do atual acordo de cessar-fogo.

Nesse cenário, a demanda pela moeda norte-americana (USD) aumentou conforme os investidores buscam proteção ante a incerteza geopolítica. Ao mesmo tempo, o salto nos preços da energia reacende preocupações com a inflação global. Custos energéticos mais elevados podem complicar a tarefa dos bancos centrais, especialmente a Federal Reserve (Fed), ao tentar equilibrar o crescimento moderado com persistentes pressões de preços. A perspectiva de juros mais elevados por mais tempo reduz o atrativo de ativos sem rendimento, como o silver.

Para o futuro, os operadores continuam de olhos nos desenvolvimentos da violência no Oriente Médio para sinais diretores. No front macro, a agenda desta semana revela dados de Vendas no Varejo dos EUA e as pesquisas preliminares do PMI da S&P Global, que podem oferecer novas pistas sobre a saúde da economia americana e influenciar as expectativas de política da Fed.