Em análise recente, Elias Haddad da Brown Brothers Harriman observa que a narrativa de recuperação vem ofuscando a perspectiva de crescimento mais fraca do FMI, com as ações globais atingindo patamares recordes e o dólar americano recuperando parte de suas perdas. O Dólar Index (DXY) não deve romper a faixa estabelecida de 96,00 a 100,00 nos próximos meses, já que os diferenciais de juros e a demanda externa por títulos de longo prazo dos EUA sustentam o dólar no curto prazo.
Dólar em faixa com desafios estruturais
Os mercados continuam a olhar além da previsão mais pessimista do FMI, operando dentro da narrativa de recuperação. Concordamos com essa leitura.
Não esperamos que o USD registre novas mínimas cíclicas nos próximos meses. Os diferenciais de juros entre os EUA e outras economias relevantes mantêm o índice DXY ancorado dentro de sua faixa de quase um ano, entre 96,00 e 100,00.
Além disso, a demanda externa por títulos de longo prazo dos EUA — títulos do Tesouro, notas, títulos corporativos, ações e bonds de agências governamentais — permanece firme. Os dados TIC do Tesouro mostram que, nos doze meses encerrados em fevereiro, investidores estrangeiros acumularam US$ 1,615 trilhões em títulos de longo prazo dos EUA.
Contudo, espera-se que esse apetite externo por títulos de longo prazo reduza ao longo do tempo. Esforços para reduzir o déficit comercial devem diminuir a saída de dólares para o exterior, reduzindo a necessidade de reciclar esses recursos de volta para títulos norte-americanos.
Futuros de fundos federais sugerem uma probabilidade de cerca de 45% de um corte de 25 pontos-base até o fim do ano, para uma meta entre 3,25% e 3,50%. Nosso cenário-base é de um único corte até o final do ano, em linha com as projeções do FOMC.