Analistas da Rabobank veem que o mercado trata o conflito com o Irã e as interrupções no Estreito de Hormuz como episódios amplamente resolvidos, mas os futuros do petróleo continuam subestimando os riscos reais de oferta física. A leitura é de que cenários variam de uma vitória ampla dos EUA até bloqueios prolongados e escaladas que podem se espalhar.
Cenários de guerra e desconexão entre os futuros
Embora exista a possibilidade de encerrar o conflito alinhado a uma de nossas previsões desde o início, com uma vitória próxima dos EUA contra o Irã nas semanas seguintes, as chances de bloqueios mais longos e de uma escalada maior não podem ser descartadas. Esse cenário tende a aparecer no mercado físico, e pode não estar totalmente refletido nos contratos futuros de petróleo.
Na Austrália, um incêndio em uma das refinarias aumenta a necessidade de importar energia, em um contexto de poucas instalações ainda ativas na região. Dúvidas sobre a capacidade da cadeia de abastecimento de diesel geram pressões para o resto do setor de mineração, transportes e construção.
Bruxelas advertiu os países da UE para evitar o acúmulo de combustível, mesmo diante de sinais de que a energia poderia enfrentar riscos. A Comissão Europeia também sinaliza que tributar combustíveis fósseis pode acelerar a transição para fontes renováveis, embora os estados membros ainda estejam reagindo de maneiras diversas diante da crise.
Colhendo todos os elementos, o mercado não precifica apenas um único cenário geopolítico; há uma etapa em que a geopolítica sugere um futuro com variáveis que não estão previstas como norma. Em resumo, para que servem os mercados? Um desafio de resposta sem recorrer às definições de crescimento econômico.
