Resumo: O Dow Jones Industrial Average (DJIA) caiu marginalmente nesta segunda-feira, recuando cerca de 50 pontos próximo a 47.900, depois de abrir em queda mais acentuada. O S&P 500 subiu 0,2% e o Nasdaq ganhou 0,6%, com o petróleo superando US$100 e ações de tecnologia puxando o Nasdaq para altas moderadas em meio aos riscos.
Bloqueio no Estreito de Hormuz eleva o petróleo acima de US$100
Após o anúncio de que a Marinha dos EUA bloquearia navios entrando ou saindo dos portos iranianos no Estreito de Hormuz, o petróleo WTI subiu mais de 5%, superando US$101 por barril. A CENTCOM esclareceu que a medida não impede navios com destino a portos não iranianos. As negociações entre EUA e Irã, realizadas no fim de semana em Islamabad, não chegaram a acordo, e a percepção de um conflito prolongado manteve a volatilidade. Brent também registrou alta próxima de 9%, perto de US$102. Analistas ponderam que o mercado reavalia a valoração justa das ações diante da incerteza.
Goldman Sachs pesa no Dow
As ações do Goldman Sachs recuaram cerca de 2,5% apesar de resultados do primeiro trimestre terem superado as estimativas. O lucro por ação ficou em US$17,55, acima do consenso de US$16,49, e a receita atingiu US$17,23 bilhões, frente a US$16,97 bilhões esperados. O segmento de equities apresentou desempenho forte, com US$5,33 bilhões em receita, alta de 27% ano a ano. Já a divisão FICC ficou atrás das expectativas, com queda de 10% na receita, em torno de US$4,01 bilhões, por conta de fraqueza em juros, hipotecas e crédito. Bancos vizinhos comentaram sobre os resultados, destacando o quadro misto, enquanto o setor se prepara para mais divulgações de lucros no restante da semana.
Software impulsiona a recuperação
Enquanto o setor financeiro ponderava, ações de tecnologia e software puxaram o Nasdaq para altas. Oracle subiu cerca de 8% ao anunciar novas ofertas de IA para serviços de utilitários; Palantir avançou mais de 3%; ServiceNow e Workday ganharam mais de 5%. No Dow, Salesforce avançou acima de 3%, Microsoft teve ganho de cerca de 1,6% e IBM subiu em torno de 1%. A rotação setorial de finanças para software contribuiu para o desempenho relativo do mercado, com os semicondutores mantendo ganhos após resultados fortes de TSMC e novas apostas em capex de IA.
Vendas de casas existentes caem para o menor patamar em nove meses
As vendas de casas existentes caíram para uma taxa anualizada de 3,98 milhões em março, queda de 3,6% frente a fevereiro, ficando abaixo da previsão de 4,05 milhões. As taxas de hipoteca tiveram alta significativa durante o trimestre, atingindo 6,64% para empréstimos de 30 anos, antes de recuarem um pouco. O preço médio de venda subiu 1,4% na comparação anual, para perto de US$409 mil. Esses números reforçam a pressão de custos de financiamento sobre o mercado imobiliário e ajudam a sustentar a percepção de aperto na demanda associada à inflação.
Rendimentos sobem com retorno de temores inflacionários
Os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram conforme o rali do petróleo reacende preocupações com inflação. O yield de 10 anos avançou para 4,34% e o de 30 anos para 4,93%. Os ganhos ocorrem após dados de CPI divulgados na semana passada e refletem a possibilidade de que o Fed precise adiar cortes de juros. O movimento reforça a pressão sobre avaliações de ações sensíveis a juros, especialmente em segmentos com maior alavancagem.
Olhar para a frente
Entre os próximos dados relevantes, destacam-se o PPI de março, com expectativa de alta de 4,6% no anual e 1,2% na base mensal, além do núcleo do PPI que pode acelerar para 4,2% anual. Um PPI divulgado com números fortes pode reduzir ainda mais as expectativas de cortes de juros. Na quinta-feira, serão anunciadas as Initial Jobless Claims, a pesquisa de atividade manufatureira da Filadélfia e a produção industrial de março. O calendário da semana também traz falas de autoridades do Fed.

