Ouro (XAU/USD) recua de abertura, mas recupera terreno nesta segunda-feira, mantendo-se firme, mas sem impulso claro, diante das tensões entre EUA e Irã. No momento da avaliação, o XAU/USD opera perto de 4,732 dólares, vindo de uma mínima intradiária em torno de 4,632.
O clima de aversão ao risco domina o humor do mercado, já que a animação gerada pela notícia de uma tréguas de duas semanas se desfez após as negociações entre EUA e Irã em Islamabad terminarem sem avanço.
Em resposta, o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou o bloqueio naval do Estreito de Hormuz. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que a ação se aplica a todas as embarcações que entram ou saem dos portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã, com início das operações na segunda-feira às 10:00, horário de Nova York.
Paralelamente, o IRGC, braço militar da Guarda Revolucionária Islâmica, advertiu que qualquer embarcação que se aproximar do Estreito de Hormuz será considerada uma violação da trégua e poderá receber uma resposta contundente.
Os mercados permanecem cautelosos quanto a uma escalada adicional e a interrupções prolongadas no abastecimento global de energia, com os preços do petróleo se recuperando após a correção da semana anterior. O WTI negocia por volta de US$ 97 por barril, com alta de cerca de 7,5% no momento.
Valores de energia elevados alimentam preocupações inflacionárias e fortalecem as expectativas de que a Fed manterá as taxas de juros altas por mais tempo ou poderá elevá-las se o conflito persistir, mantendo o dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro sob suporte. Dados de inflação dos EUA de março mostram aceleração nos custos de energia, com o CPI subindo 0,9% mês a mês e 3,3% na comparação anual, frente a 2,4% no mês anterior.
Apesar de ser visto como proteção contra a inflação e ativo de refúgio, o ouro tem enfrentado menor interesse de compra desde o início do conflito, pois a perspectiva de juros mais altos eleva o custo de oportunidade de manter o metal que não rende juros.
No entanto, o panorama mais amplo continua sustentado pela demanda constante de bancos centrais, pela desconfiança com moedas fiat, pelo aumento da dívida pública em grandes economias e pela demanda de investimento resiliente.
Para o que vem pela frente, o calendário econômico dos EUA parece relativamente fraco, com o PPI de março sendo o principal destaque para terça-feira. Além disso, diversos dirigentes da Fed devem falar ao longo da semana, o que pode trazer mais pistas sobre a trajetória da taxa de juros.
Análise técnica: XAU/USD consolida entre SMAs-chave
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário aponta o XAU/USD acima da SMA de 100 dias em 4.687,11 e bem acima da SMA de 200 dias em 4.185,66, mantendo-se, contudo, abaixo da SMA de 50 dias em 4.899,26. O viés permanece neutro com leve inclinação de baixa, à medida que o preço consolida entre esses níveis.
Indicadores de momentum sugerem ausência de direção firme: o RSI (14) fica próximo de 47,5, enquanto o ADX em torno de 27,9 indica força de tendência moderada.
Caso haja uma virada acima da SMA de 50 dias, o impulso de alta pode ganhar força, com a faixa de US$ 5.000–5.200 surgindo como a próxima zona de resistência. Por outro lado, uma falha em manter o nível da SMA de 100 dias pode abrir espaço para a região de suporte entre 4.600–4.500, seguida pela SMA de 200 dias.
Perguntas Frequentes sobre Ouro
O ouro é conhecido como reserva de valor e proteção em momentos de turbulência. Além de uso em joias, é visto como proteção contra inflação e depreciação de moedas, não dependendo de um emissor específico.
Bancos centrais são os maiores donos de ouro. Eles aumentam reservas para sustentar a confiança na economia, com compras significativas em 2020-2022 para diversificação e solidez fiscal.
Historicamente, o ouro tende a ter relação inversa com o dólar e com títulos do Tesouro, e também se move de forma oposta aos ativos de risco. Um dólar forte costuma frear o preço do ouro.
O preço reage a fatores geopolíticos, perspectivas de recessão e políticas de juros. Em geral, juros mais baixos tendem a favorecer o ouro, enquanto custos de capital mais altos pesam sobre o metal, com o câmbio do dólar sendo um determinante crucial.
