Ações dos EUA: Temporada de resultados guiada pela perspectiva – BNY

De acordo com o estrategista-chefe de macromercados da BNY, Bob Savage, os resultados do 1º trimestre dos EUA devem ser guiados mais pelas projeções futuras do que pelos lucros divulgados, com o consenso do S&P 500 apontando para um crescimento de lucros em torno de 13%, embora haja ampla variação entre 9% e 19%.

Foco em orientação, IA e margens

Essa leitura sugere que a divulgação trimestral deverá enfatizar perspectivas futuras em vez de resultados passados. A visão de consenso para o crescimento de lucros é de cerca de 13%, porém as previsões variam significativamente, entre 9% e 19%. Diversas empresas já sinalizaram orientação positiva, o que é incomum desde 2022.

O rácio preço/lucro forward de 12 meses do S&P 500 caiu para 19,8, ante 22 no início do ano, sugerindo alguma compressão, ainda que o índice tenha recuado pouco no acumulado do ano. O P/L trailing de 12 meses fica em 26,2, possivelmente mais revelador para o momento.

Três movimentos divergentes nas posições relativas às expectativas de lucros devem moldar a reação dos investidores a surpresas de EPS. Dados do iFlow indicam queda nas participações em Tecnologia, Serviços de Comunicação e Financeiro, sinalizando uma rotação iniciada antes do conflito no Oriente Médio e alinhada à mudança de 2026 para temas de crescimento menos dominantes.

Imobiliário, Materiais e Saúde aparecem mais dependentes dos lucros subjacentes. A temporada de resultados tende a ser definida menos pelos números reportados e mais pelo guidance futuro, com incerteza macro e rotações setoriais aumentando a sensibilidade do mercado a revisões de outlook. Reações assimétricas tendem a favorecer empresas capazes de sustentar crescimento diante da volatilidade. Ganhos de eficiência via IA e expansão de margens continuam atuando como vetores estruturais de apoio, sobretudo em setores com alta alavancagem operacional.