O petróleo WTI caiu, chegando perto de US$ 90 o barril, após o presidente Trump anunciar a suspensão de ataques ao Irã por semanas. O mercado recuava durante a sessão, com traders prevendo recuo. Mesmo com a pausa, danos à infraestrutura no Golfo podem sustentar o aperto por meses ainda.
Como tudo aconteceu
O prêmio de risco do petróleo WTI, que reflete a possibilidade de conflito, foi a maior queda recente, com o preço recuando de patamares acima de US$ 106 para ficar próximo de US$ 90. A mudança aconteceu após Trump anunciar a suspensão de ataques; porém a pressão já estava presente antes da confirmação, com operadores acostumados a prazos rigorosos se posicionando para esse desfecho. Quando a notícia chegou, grande parte da pressão já havia sido precificada.
O Paquistão mediou a saída
A trégua foi costurada por mediação paquistanesa. Trump indicou conversas com líderes locais como gatilho, observando que o Paquistão pediu para evitar o que chamou de “força destrutiva dirigida ao Irã”. O acordo permanece condicionado: o Irã precisaria concordar com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Hormuz. O anúncio ocorreu pouco antes do prazo estabelecido, após o qual Trump havia ameaçado medidas severas.
Quanta liquidez resta?
Os dados de mercado mostram o quanto os preços estiveram inflados. O WTI esteve abaixo de US$ 58 em janeiro, antes da escalada. O fechamento do Estreito de Hormuz cortou cerca de 20% do fornecimento global por mar, um choque que analistas descrevem como o maior já visto. Estima-se que quase 1 bilhão de barris de petróleo e derivados possam ser afetados até abril. Mesmo após a queda recente, o WTI permanece significativamente acima dos níveis pré-conflito. A curva de futuros já projetava Brent em US$ 90 em agosto, sugerindo mais espaço para quedas se a trégua for mantida.
Ainda não é hora de comemorar
Embora o mercado tenha precificado bem a extensão, a situação continua complexa. O Irã rejeitou publicamente propostas de cessar-fogo e tem pedido um fim duradouro para hostilidades, reparações e alívio de sanções. A janela de duas semanas oferece espaço para negociações, mas as diferenças entre as posições ainda são grandes. Projeções de analistas indicam probabilidade moderada de cessar-fogo até o fim de abril e maior probabilidade até o fim de junho. Dano de infraestrutura no Golfo significa que qualquer acordo real não se traduz em oferta normal de imediato. Estimativas apontam perdas na oferta e nos estoques devido a fluxos redirecionados e liberações emergenciais.
O que observar a seguir
A grande pergunta é se essa prorrogação de duas semanas trará algo diferente das últimas tentativas de acordo. Traders vão observar a retomada do tráfego de navios no estreito de Hormuz, não apenas retórica diplomática. Manter o preço abaixo de US$ 90 exige fluxos próximos aos níveis pré-conflito. O mercado tende a vender com notícias de cessar-fogo e a recomprar rapidamente quando a diplomacia estagnar. Se a pausa não se sustentar, o teto visto recentemente pode não durar por muito tempo.
Gráfico do WTI em 15 minutos

