A Libra esterlina subiu mais de 0,20% na terça-feira, impulsionada por rumores de um cessar-fogo no Oriente Médio, mas fontes de notícias indicaram que as chances de acordo estão diminuindo, elevando a probabilidade de uma ação dos EUA conforme se aproxima o prazo de decisões.
Gestão de riscos e desempenho cambial
O apetite por risco se deteriora com a intensificação do conflito na região. Os preços do petróleo sobem, enquanto o dólar americano perde fôlego, mesmo com a sua correlação positiva com o petróleo, e o índice DXY recua 0,14% para 99,84.
Mais cedo, relatos indicaram ataques dos EUA à ilha de Kharg, com retaliação do Irã contra interesses dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, no Iraque e na Arábia Saudita. Comunicados indicaram que negociações entre EUA e Irã estariam encerradas, embora o Tehran Times tenha negado a versão, alegando que vias diplomáticas continuam abertas.
Dados dos EUA mostraram que as encomendas de bens duráveis em fevereiro recuaram 1,4%, pela segunda queda mensal consecutiva, abaixo das estimativas de +0,4%. Já os itens de bens de uso contínuo cresceram 0,8% na mesma leitura.
O presidente do Fed, John Williams, comentou que o choque energético deve pressionar a inflação total. “A inflação headline deve permanecer elevada, acredito, em torno do meio do ano” e a trajetória de aperto monetário está “no patamar certo”.
A Pesquisa de Expectativas de Consumidores do Fed de Nova York, em março, aponta que as famílias ficaram mais pessimistas com relação ao aumento de preços, com as expectativas de inflação de um ano subindo para 3,4% (de 3,0% em fevereiro), as de três anos subiram para 3,1% e as de cinco anos permaneceram em 3,0%.
Apesar da alta do GBP/USD, a atividade no setor de serviços do Reino Unido desacelerou para o nível mais baixo em 11 meses em março, com o PMI de Serviços da S&P Global caindo de 53,9 para 50,5, enquanto o indicador de preços de insumos subiu, sugerindo um cenário de estagflacao para o Reino Unido.
Nesse cenário, o GBP/USD dilata parte de suas altas iniciais, enquanto o dólar americano parece se recuperar diante de relatos de que as chances de um acordo são pequenas, segundo fontes diplomáticas citadas pela MS NOW.
Perspectiva de preço: visão técnica
No gráfico diário, o GBP/USD opera em 1,3245. O viés de curto prazo permanece ligeiramente bearish, já que o preço fica abaixo da zona de resistência descendente partindo de 1,3869 e das médias móveis agrupadas em torno de 1,35, o que indica rejeição de tentativas anteriores de alta. O preço continua oscilando abaixo dessa faixa de médias móveis, que limita os rallies e que segue a sequência de topos mais baixos traçados pela linha de tendência de baixa, enquanto o suporte ascendente de 1,3035 ainda sustenta a estrutura mais ampla.
A resistência imediata fica próxima de 1,3330, onde as recentes máximas se encontram com a linha de tendência descendente, seguido pela faixa 1,3500/1,3530 definida pelas médias móveis agrupadas e pela congestão anterior. Um fechamento diário acima dessa faixa superior seria necessário para enfraquecer o viés restritivo e reabrir a zona 1,3650. No downside, o suporte inicial fica em 1,3180, com a linha de tendência de alta a partir de 1,3035 reforçando a região de 1,3100 como o próximo nível de baixa. Uma quebra abaixo desse suporte de tendência sinalizaria uma queda mais acentuada em direção a 1,3035, expondo a estrutura de alta mais ampla a uma reversão mais definida.

