Ouro (XAU/USD) opera em uma faixa volátil nesta terça-feira, enquanto investidores ficam atentos ao ultimato dos EUA para um acordo com o Irã que se aproxima do prazo, mantendo o mercado em alerta. No momento da publicação, o XAU/USD fica perto de US$ 4.657, sem direção clara, com os operadores buscando notícias sobre um possível acordo para evitar um conflito.
Mercados permanecem cautelosos diante do prazo de Trump para o Irã
Com o tempo se esgotando, traders se mantêm à margem antes do prazo estipulado pelo presidente Donald Trump, que deu ao Irã a opção de “fechar um acordo ou abrir o estreito de Hormuz” até as 20h (horário do leste) de hoje, 00:00 GMT de quarta-feira. Trump ameaçou mirar a infraestrutura de energia e civil do Irã se não houver acordo.
A esperança inicial de um cessar-fogo foi-se rapidamente. A agência de notícias estatal iraniana IRNA informou na segunda-feira que Teerã rejeitou a proposta de cessar-fogo apresentada pelo Paquistão, apresentando em vez disso um plano de 10 pontos que inclui o fim permanente da guerra, a suspensão de sanções e um marco formal para garantir passagem segura pelo Estreito de Hormuz. Trump descreveu as propostas como um “passo muito significativo”, mas disse que elas eram “ainda não suficientes”.
Apesar dos riscos geopolíticos elevados, o ouro não tem conseguido atrair demanda estável por refúgio seguro, em parte porque o dólar americano (USD) permanece firme, já que a demanda global por liquidez continua a superar os fluxos tradicionais para o metal.
Preços elevados do petróleo pressionam as apostas em cortes de juros do Fed
Outro fator que pesa sobre o ouro é a alta dos preços do petróleo, que aumenta as preocupações com inflação e riscos para o crescimento econômico. Isso sustenta as expectativas de que os grandes bancos centrais, especialmente o Federal Reserve (Fed), manterão as taxas de juros em patamar elevado por mais tempo.
Isso deve ficar evidente nos dados de inflação dos EUA de março, ainda nesta semana, com economistas esperando que o índice de preços ao consumidor (CPI) suba 0,9% mês a mês, frente 0,3% em fevereiro, enquanto a inflação anual deve acelerar para 3,3% ante 2,4%.
Os mercados já precificaram amplamente a ausência de cortes de juros neste ano, em comparação com expectativas anteriores de pelo menos duas reduções, o que continua a ser um obstáculo para o metal sem rendimento.
Compras robustas de bancos centrais mantêm o cenário de longo prazo do ouro
Apesar da fraqueza de curto prazo, o panorama de longo prazo para o ouro continua inclinando-se para o lado positivo. A demanda estrutural sustenta os preços, impulsionada por compras consistentes de bancos centrais, aumento dos níveis de dívida soberana e forte demanda de investidores varejistas por meio de fundos de índice (ETFs).
Segundo a Bloomberg, o banco central da China adicionou cerca de 160 mil onças troy, ou aproximadamente 5 toneladas, de ouro em março — o 17º mês consecutivo de compras. Além disso, bancos centrais globais adquiriram um saldo líquido de 25 toneladas nos dois primeiros meses do ano, com base em estimativas do World Gold Council (WGC).
Análise técnica: XAU/USD forma bandeira baixista no gráfico de 4 horas
Do ponto de vista técnico, o gráfico de 4 horas mostra o XAU/USD formando um padrão de bandeira baixista, com riscos de queda aumentando à medida que os preços encostam no limite inferior do padrão.
A média móvel simples de 100 períodos (SMA) perto de US$ 4.654 continua atuando como resistência, com repetidas rejeições limitando as altas. Uma quebra sustentada acima desse nível poderia abrir caminho para US$ 4.908, próxima à SMA de 200 períodos.
No lado negativo, a SMA de 50 períodos em torno de US$ 4.585 oferece algum amortecimento, embora uma quebra sustentada abaixo desse patamar possa abrir caminho para perdas mais profundas rumo à região de US$ 4.400, com risco adicional até US$ 4.100.
Os indicadores de momentum permanecem mistos, com o RSI próximo de 50, sugerindo ausência de viés direcional forte. Enquanto isso, o histograma do MACD continua negativo, com a linha MACD abaixo da linha de sinal e próxima da linha zero, sugerindo pressão de baixa contida em vez de momentum de venda acentuado.
Perguntas frequentes sobre ouro
O Ouro desempenha papel histórico como reserva de valor e meio de troca. Além de seu brilho e uso na joalheria, o metal precioso é amplamente visto como ativo de refúgio seguro, útil em tempos turbulentos. Também serve como proteção contra a inflação e contra desvalorizações de moedas, pois não depende de um emissor específico.
Os bancos centrais são os maiores detentores de Ouro. Ao buscar suportar suas moedas em tempos de turbulência, eles tendem a diversificar reservas e comprar Ouro para reforçar a percepção de robustez da economia. Grandes reservas de Ouro podem transmitir confiança quanto à solvência de um país. Em 2022, bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de Ouro, cerca de US$ 70 bilhões, segundo o World Gold Council. Bancos centrais de economias emergentes como China, Índia e Turquia estão aumentando rapidamente suas reservas.
O Ouro tem correlação inversa com o Dólar dos EUA e com os Títulos do Tesouro dos EUA, que são ativos de reserva e refúgio. Quando o Dólar cai, o Ouro tende a subir, permitindo que investidores e bancos centrais diversifiquem seus ativos em tempos de turbulência. O Ouro também tem correlação inversa com ativos de risco. Um rally no mercado acionário tende a enfraquecer o preço do Ouro, enquanto quedas em mercados mais arriscados tendem a favorecer o metal precioso.
O preço pode se mover por uma ampla gama de fatores. Incerteza geopolítica ou temores de recessão podem fazer o preço do Ouro subir rapidamente devido ao seu status de refúgio. Como ativo sem rendimento, o Ouro tende a subir com juros baixos, enquanto custos maiores de dinheiro pesam sobre o metal. Ainda assim, a maior parte dos movimentos depende de como o Dólar dos EUA (USD) se comporta, pois o preço é cotado em dólares (XAU/USD). Um Dólar forte tende a manter o preço sob controle, enquanto um Dólar mais fraco tende a impulsionar os preços do Ouro.
