Um analista da instituição financeira observa um choque severo na oferta de petróleo, com o Brent à vista rompendo a marca de 140 dólares e os preços futuros mais baixos, o que aperta as condições financeiras globais. Interrupções prolongadas em petróleo e LNG podem empurrar a economia mundial para uma recessão e aumentar o risco de stagflation, especialmente na Ásia.
Curva com encargo inicial aperta as condições financeiras
Uma interrupção prolongada no petróleo, LNG e outros produtos ligados ao conflito poderia desencadear uma recessão global. Supondo que o PIB mundial seja de US$ 100 trilhões, o custo da energia em 2026 seria de US$ 4,6 trilhões, ou 4,6% acima do que ocorreu em 2025.
As chances de isso levar a uma recessão vêm aumentando, porém a distribuição não é uniforme; a Ásia aparece mais vulnerável que os EUA. Para várias regiões, a estagflação tornou-se o cenário econômico central. Diferenças de velocidade de crescimento entre regiões podem importar mais do que as taxas de juros nas alocações de ativos no segundo trimestre.
O custo de subsídios governamentais para compensar choques energéticos, aliado a outras medidas de racionamento, gera riscos aos orçamentos públicos e aumenta a volatilidade dos títulos. Vinte países já implementaram medidas relacionadas à energia; mais ações são esperadas se o conflito se estender além de abril.
As estimativas apontam um arrasto fiscal entre 1,5% e 3% do PIB global. Os títulos globais vão diferenciar-se conforme déficits públicos e perspectivas de crescimento.
Para os investidores, o desequilíbrio na demanda por petróleo e derivados pode provocar elevações exponenciais nos preços de quase todos os ativos em abril em relação a março. Um retorno da atividade de frete até o fim do mês é um cenário alternativo, enquanto o risco binário permanece para quem está excessivamente pessimista. Investidores com restrições de VAR tendem a adotar uma postura de aguardar.

