Analista da Commerzbank aponta que a depreciação da lira deve seguir um caminho estrutural, impulsionado por pressões inflacionárias externas e por preços de energia mais altos, mesmo com alta no CPI turco de março. O cenário geopolítico continua a orientar as reações de curto prazo e o ritmo da desvalorização.
Inflação por choque externo e arrasto estrutural do FX
Na próxima sexta-feira, o escritório de estatísticas da Turquia divulgará o CPI e o PPI de março. Espera-se leve desaceleração do CPI anual, porém aceleração da inflação subjacente. No entanto, diante do cenário atual, a prática de transformar variações anuais em mudanças mensais ajustadas sazonalmente perde relevância.
O cenário mudou drasticamente, tornando os dados obsoletos por causa de preços de energia mais altos previstos nos meses vindouros. Contratos futuros sugerem que não veremos as cotações mais recentes de imediato.
A narrativa sugere que custos de energia persistentemente elevados podem se revelar irrelevantes por ora. Observa-se que a inflação de Istambul, medida pelo CPI, recuou para 37,7% ao ano em março, ante 37,9% em fevereiro, mantendo-se em alta de 3% na comparação mensal.
A nível nacional, espera-se padrão semelhante, com alta de aproximadamente 2,5% mês a mês. A leitura está defasada, pois relatos indicam aumentos consideráveis nos custos de itens básicos como pão e transporte.
Por ora, os dados do CPI de março fornecerão alguma visão sobre a trajetória existente, mas as implicações para os mercados dependerão de como a situação geopolítica evoluirá nas próximas semanas.
