O ouro (XAU/USD) abriu em alta, mas devolveu ganhos ao redor de US$ 4.800, após testar um recorde de duas semanas mais cedo nesta quinta-feira. No momento, o metal precioso parece ter encerrado uma sequência de quatro sessões em alta, diante da demanda renovada pelo dólar americano.
Em um pronunciamento à nação, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou que o Irã seria atingido de forma muito severa caso não haja acordo nas próximas duas a três semanas, ou seria levado à Idade da Pedra se as negociações não avançarem. A fala diminui as esperanças de desescalada e reduz o apetite por ativos de maior risco, fortalecendo o dólar como moeda de reserva global e pressionando o ouro.
Trump também sinalizou que a infraestrutura energética iraniana continua como alvo possível. Reportagens do Wall Street Journal indicaram que os Emirados Árabes Unidos pressionam por ação militar para reabrir o Estreito de Hormuz e buscam uma resolução no Conselho de Segurança da ONU para autorizar tal operação. Isso provocou forte valorização do petróleo, reacendendo preocupações inflacionárias e alimentando apostas em alta de juros pelo Federal Reserve.
Os rendimentos de Treasuries nos EUA subiram, o que tende a beneficiar o dólar e pesar sobre o ouro, que não rende juros.
Tecnicamente, o ouro recuou após tocar próximo da resistência criada pela EMA de 200 períodos no gráfico de 4 horas, por volta de US$ 4.800. O RSI recuou para a faixa de 50-55 e o MACD reduziu a velocidade, sugerindo enfraquecimento do impulso de alta, pelo menos a curto prazo.
Se houver nova pressão vendedora, o ouro pode buscar o suporte em US$ 4.600, com queda adicional até US$ 4.550. Do lado oposto, a resistência inicial fica perto da máxima recente em torno de US$ 4.787, e uma quebra acima pode abrir caminho para a faixa entre US$ 4.820–4.830, onde a EMA de 200 períodos reforça uma barreira mais firme.
Para a reação aos dados de empregos dos EUA (NFP) de sexta-feira, espera-se um impacto limitado, dado o cenário geopolítico ainda volátil. Ainda assim, o pano de fundo fundamental recomenda cautela antes de apostar na continuidade da recuperação recente, que veio de perto de US$ 4.100.