Analistas do Deutsche Bank, Shreyas Gopal e Sanjay Raja, apontam que a confiança do consumidor no Reino Unido em março de 2026 permaneceu surpreendentemente resiliente, situando-se entre os níveis observados no início da pandemia de Covid-19 e o choque de energia de 2022. Eles destacam que o aumento dos preços de combustíveis, a crise global de petróleo em curso e riscos geopolíticos podem erodir rapidamente essa resiliência, pesando sobre o consumo e o crescimento do país.
Confiança entre níveis de crise anteriores
Apesar de a crise global do petróleo ainda estar se desenrolando, vale destacar as rápidas mudanças observadas em crises recentes e onde a leitura de março de 2026 se posiciona nesse contexto. A quarentena de março de 2020, durante o lockdown, gerou uma pesquisa especial no segundo semestre do mês, revelando quedas substanciais a partir de um patamar que, em retrospectiva, parecia surpreendentemente resistente diante da crise.
Da mesma forma, em 2022 todos os componentes do índice se deterioraram conforme a crise energética europeia se agravou, embora em grau menor do que em crises anteriores.
Segundo o relatório mais recente, o ponto de partida geral para a confiança do consumidor fica entre as leituras de março de 2020 (pré-lockdown) e os primeiros meses de 2022. Contudo, desde então os preços de combustíveis continuam subindo. Sem cessar-fogo e sem a reabertura do Estreito de Hormuz, seria surpreendente manter essa resiliência nos meses seguintes — algo que também é sugerido pela leitura de confiança do consumidor divulgada pela BRC, que indica uma tendência mais fraca.

