Analista da Commerzbank, Carsten Fritsch, aponta que o ouro recuou mais de 13% neste mês, a maior queda desde 2008, à medida que o petróleo em alta força os mercados a precificar menos cortes de juros pelo Fed. Recentemente, ouro e petróleo têm avançado em conjunto. Com contratos futuros que não descontam mais cortes e com a perspectiva de altas improvável, a Commerzbank projeta que a alta do petróleo reduza os rendimentos reais e sustente o ouro.
Nova relação ouro-petróleo ganha dinamismo
O preço do ouro caiu mais de 13% desde o começo do mês, apontando para a maior queda mensal desde outubro de 2008. Naquele período, a queda acompanhou o choque do Lehman Brothers, que desencadeou a crise financeira e econômica. Essa queda desviou-se das explicações habituais.
Hoje, a guerra no Oriente Médio e o aumento abrupto do petróleo foram gatilhos para a queda de preços. Desde o início da tensão no Irã, a correlação entre petróleo e ouro tem sido, em sua maioria, negativa — ou seja, quando o petróleo sobe, o ouro tende a cair, e vice-versa. O motivo dessa relação incomum é que, com a elevação do petróleo, aumentam os riscos inflacionários, o que faz o mercado precificar menos cortes de juros pela Fed.
Por outro lado, quando o petróleo recua, as chances de cortes nas taxas de juros sobem, ainda que de forma gradual. Nos últimos dois dias de negociação, tanto o ouro quanto o petróleo subiram. Como os futures de fundos da Fed já não precificam cortes adicionais e o mercado não acredita que a taxa suba, um novo repique no petróleo poderia reduzir ainda mais as rendas reais por meio de uma inflação mais elevada.
Enquanto o mercado não considerar seriamente cortes, o ouro tende a se beneficiar com a alta do petróleo, ao contrário do que vimos nas semanas anteriores.


