Ouro fica abaixo de US$ 4.600 enquanto traders ponderam desescalada no Oriente Médio e perspectiva de juros

Ouro (XAU/USD) opera com viés de alta nesta terça-feira, apoiado por esperanças de desescalada do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, o movimento permanece preso a uma faixa de negociação de uma semana, sinalizando indecisão entre investidores diante de sinais geopolíticos mistos, de um dólar norte-americano firme e de mudanças nas expectativas sobre a trajetória da política monetária do Federal Reserve.

No momento da redação, o par XAU/USD fica próximo de US$ 4.483, depois de subir brevemente acima de US$ 4.600 durante a sessão asiática. O DXY, índice que mede o valor do dólar frente a uma cesta de seis moedas importantes, opera perto de 100,33, recuando levemente após tocar máximas de dez meses de 100,64.

Notícias do Oriente Médio mantêm os mercados cautelosos

O Wall Street Journal informou na terça-feira que Donald Trump sinalizou estar disposto a encerrar a campanha militar dos EUA contra o Irã, mesmo que o estreito de Hormuz permaneça amplamente fechado, elevando a esperança de que o conflito possa terminar em breve. No entanto, o relatório também aponta que ele entende que os EUA devem buscar seus objetivos principais de degradar as capacidades navais e de mísseis do Irã e manter a pressão diplomática para restabelecer os fluxos comerciais, mantendo as tensões elevadas.

Trump, em rede social, criticou a França por não autorizar voos de abastecimento militar norte-americanos a passar pelo espaço aéreo francês, chamando o país de “muito pouco prestativo”. Ele também voltou suas críticas a aliados como o Reino Unido, instando-os a garantirem seus próprios suprimentos de energia diante de interrupções no estreito de Hormuz.

Paralelamente, um comitê parlamentar iraniano aprovou planos para impor pedágios ao transporte marítimo através do estreito de Hormuz, conforme a Fars News Agency, citando a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Ventos macro pesam sobre o Ouro

À medida que o conflito se agrava e os preços do petróleo permanecem elevados, alimentando preocupações com a inflação, o ouro não tem se comportado como um ativo tradicional de refúgio ou proteção contra a inflação. Em vez disso, o movimento está sendo guiado por expectativas de juros mais altas por mais tempo, globalmente, e pela demanda sustentada pelo dólar, com o metal no caminho para a pior queda mensal desde outubro de 2008.

Ao mesmo tempo, os mercados começam a recuar de previsões antecipadas de altas de juros, com investidores receosos de que o aumento dos preços do petróleo possa frear o crescimento econômico, mantendo a inflação elevada e criando um dilema de política para as grandes economias.

Segundo a CME FedWatch Tool, os mercados esperam que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas entre 3,50% e 3,75% até 2026. Um ambiente de juros mais alto reduz o atrativo de ativos sem rendimento, como o Ouro.

No curto prazo, o ouro tende a permanecer dentro de faixa com viés ligeiramente de queda, a menos que haja um desfecho claro no conflito EUA-Irã que leve a uma queda significativa nos preços do petróleo e a uma mudança nas expectativas de juros.

Análise técnica: XAU/USD mira ruptura acima de 4.600

Do ponto de vista técnico, o XAU/USD parece ligeiramente bullish no curto prazo. No gráfico de 4 horas, observa-se a formação de um triângulo ascendente, sugerindo pressão de alta crescente. O preço está acima da média móvel simples de 50 períodos em US$ 4.494, que atua como suporte imediato.

O RSI permanece acima de 50, indicando momentum de alta em formação, enquanto o MACD permanece em território positivo, com a linha MACD acima da linha de sinal e um histograma levemente positivo sugerindo que compradores mantêm o controle.

Caso haja uma quebra clara acima da linha superior do triângulo, próxima da zona de US$ 4.600, pode abrir caminho para um movimento em direção à SMA de 100 períodos em US$ 4.773.

Por outro lado, uma quebra abaixo da SMA de 50 períodos em US$ 4.494 pode encontrar suporte na faixa entre US$ 4.300 e US$ 4.400, seguida pela mínima de março por volta de US$ 4.100.