Ouro dispara para topo de mais de uma semana com sinais de desescalada de Trump que impulsionam a venda do USD

O ouro (XAU/USD) atrai compradores pelo terceiro dia consecutivo e sobe para o maior nível em uma semana e meia durante a sessão asiática desta terça-feira, porém encontra dificuldade para se manter acima de US$ 4.600. Relatos de que o presidente dos EUA, Donald Trump, está disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o Estreito de Hormuz permaneça amplamente fechado, provocaram uma correção nos preços do petróleo, o que, por sua vez, amenizou preocupações com a inflação e manteve os rendimentos dos títulos do Tesouro abaixo, alimentando uma tomada de lucro no USD e beneficiando a commodity.

Enquanto isso, o Irã sinalizou relutância em negociações diretas com os EUA, destacando avanços diplomáticos frágeis. Além disso, os EUA continuam deslocando tropas e ativos para a região, aumentando as incertezas e afastando a expectativa de uma desescalada rápida. Isso tende a sustentar o petróleo bruto e manter as pressões inflacionárias, fortalecendo apostas em juros mais altos globalmente. Expectativas de bancos centrais mais hawkish, incluindo o Federal Reserve (Fed), devem limitar o ouro, que não rende juros.

Agora, traders parecem ter eliminado completamente a chance de cortes adicionais de juros pelo banco central dos EUA e as apostas em um aumento no fim do ano estão crescendo rapidamente. O viés, portanto, favorece compras no recuo em torno do USD, o que deve ajudar a manter o ouro contido.

Os olhos do mercado estão voltados para o calendário econômico dos EUA, com a divulgação de dados de ofertas de emprego JOLTS e do Índice de Confiança do Consumidor da Conference Board. Isso, junto com discursos de membros influentes do FOMC, deve movimentar o USD e dar algum impulso ao preço do ouro. O foco segue nas desdobramentos geopolíticos, que continuarão a desempenhar um papel central na volatilidade ao redor do par XAU/USD.

Gráfico diário do XAU/USD

Do ponto de vista técnico, o viés de curto prazo permanece cautelosamente baixista, com o preço do ouro operando pouco abaixo da retração de 38,2% do recuo desde o topo mensal, e abaixo da média móvel simples de 100 dias (SMA), sugerindo que a tendência de alta mais ampla continua, mas sob pressão no curto prazo. A SMA de 200 dias continua subindo, reforçando a estrutura otimista de longo prazo, apesar da correção.

O RSI recuperou da zona de sobrevenda para cerca de 41, indicando arrefecimento da magnitude de alta, e o MACD permanece abaixo de zero, refletindo impulso de alta enfraquecido.

Resistência inicial em torno de US$ 4.592,49 (38,2% de Fibo), com a SMA de 100 dias próxima de US$ 4.637 formando a próxima barreira. Um fechamento diário acima dessa região abriria caminho para a recuperação até a retração de 50% em US$ 4.747,16.

No suporte, a vizinhança das mínimas recentes em torno de US$ 4.470, antes da retração de 23,6% em US$ 4.401,11, onde a congestão de preço anterior se alinha com a estrutura corretiva. Um rompimento abaixo de US$ 4.401,11 exporia a região de US$ 4.200–4.150, levando a SMA de 200 dias em US$ 4.129 ao centro das atenções como suporte de tendência mais profundo.

Enquanto o preço se mantiver acima da retração de 23,6% e da SMA de 200 dias, o quadro de alta mais amplo permanece intacto, mas falhas nesses níveis reforçariam o viés de curto prazo de baixa.

Observação: a análise técnica deste resumo usa dados de mercado disponíveis e pode ser atualizada com novas informações de preço e volatilidade.