Óleo: riscos de escalada do conflito no Irã

O analista Angelo Katsoras, do National Bank of Canada (NBC), explica como um conflito envolvendo o Irã poderia interromper seriamente os mercados de petróleo e gás, caso a infraestrutura energética estratégica e o Estreito de Hormuz sejam atingidos. Ele observa que, embora os cenários mais graves tenham sido evitados até o momento, hostilidades prolongadas aumentam o risco de erro de cálculo que poderia provocar choques de oferta de energia de grande impacto e duração.

Cenários de guerra ameaçam os fluxos globais de energia

Por mais severos que tenham sido os danos já infligidos ao setor de energia no Oriente Médio, o pior cenário até agora foi evitado. O que isso poderia significar seria um ataque dos EUA à infraestrutura energética da Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações iranianas, seguido de retaliação iraniana com milhares de minas no Estreito de Hormuz. Os Estados Unidos e Israel responderiam bombardeando infraestrutura energética pela região, e o Irã revidaria com ataques a infraestrutura energética em vários estados do Golfo.

Caso isso ocorresse, mesmo que as hostilidades diminuíssem em curto prazo, levaria meses para reabrir o estreito e anos para reparar os danos à infraestrutura na região.

Além de provocar um choque prolongado nos preços do petróleo e do gás, a interrupção afetaria significativamente vários outros setores que dependem dessa rota, incluindo alumínio, agricultura e produção de hélio.

As partes no conflito chegaram perto do pior cenário, mas recuaram.

Em resumo: embora a ameaça de interrupção energética mútua possa estar evitando que ambos os lados ultrapassem limites de escalada, muitas coisas ainda podem dar errado no nevoeiro da guerra.