O ouro (XAU/USD) recupera fôlego nesta segunda-feira, revertendo parte das perdas do pregão, em meio a tensões crescentes no Oriente Médio e novas leituras sobre a trajetória de juros, que mantêm a volatilidade nos mercados. No momento da publicação, o metal está próximo de US$ 4.576, depois de tocar menor em US$ 4.419 durante a sessão asiática.
O ouro mantém o equilíbrio com a queda dos rendimentos e mudança na perspectiva do Fed
Mesmo com um recuo nos rendimentos dos títulos do Tesouro, a pressão de alta permanece contida, e o dólar americano sustenta-se firme, limitando o impulso do ouro.
O mercado passa a reavaliar a política monetária do Federal Reserve. A alta recente de preços do petróleo elevou a expectativa de aperto monetário, levando operadores a precificar potenciais altas de juros ainda neste ano.
No entanto, há menos otimismo sobre o impacto econômico dessa alta de energia, com os investidores preocupados com o efeito sobre o crescimento. Segundo o CME FedWatch, há probabilidade de o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75% até 2026.
Com esse pano de fundo, uma recuperação expressiva do ouro parece improvável. O metal permanece por volta de 15% abaixo do pico de março, e pode encerrar uma sequência de sete altas nos próximos meses. Um ambiente de juros mais elevado por mais tempo eleva o custo de oportunidade de manter ativos que não pagam juros, como o ouro.
Atenção geopolítica: intensificação do conflito
No front geopolitico, o conflito entre EUA/Israel e Irã segue se intensificando, com ataques de milícias alinhadas ao Irã contra Israel abrindo uma nova frente. Há temores de ataques a navios no Mar Vermelho, o que pode piorar as interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz.
Além disso, relatos indicam que o Pentágono se prepara para semanas de operações terrestres no Irã, ampliando a presença militar na região.
Na próxima semana, dados econômicos dos EUA ganham destaque, com o PMI de março da indústria e o relatório de vagas NFP que devem orientar as expectativas de política monetária e o comportamento do dólar.
Análise técnica: 100 dias em foco
Do ponto de vista técnico, o viés de curto prazo para o XAU/USD tende a ficar neutro a levemente otimista, à medida que o preço se aproxima da média móvel simples de 100 dias, após ter recuado da média de 200 dias na semana passada.
Indicadores de momentum mostram sinais iniciais de recuperação. O RSI oscila próximo de 40, saindo de território oversold, sugerindo que a pressão de venda pode estar diminuindo. O MACD permanece em território negativo, com a linha MACD abaixo da linha de sinal, mas o enredo de queda aparenta fraqueza.
Se houver uma ruptura clara acima da SMA de 100 dias perto de US$ 4.633, o metal pode abrir caminho para a região da SMA de 50 dias em torno de US$ 4.958. Já pelo lado de baixo, o suporte imediato está na faixa de US$ 4.400–4.300, seguido pela SMA de 200 dias próxima de US$ 4.123.
Gold FAQs
Por que as pessoas investem em ouro?
O ouro desempenha um papel histórico como reserva de valor e meio de troca. Além de seu brilho, ele é visto como proteção em tempos de turbulência, hedge contra a inflação e diversificação quando moedas enfrentam pressões.
Quem detém mais ouro?
Os bancos centrais aparecem como os maiores detentores, aumentando reservas em momentos de incerteza para fortalecer a confiança na solvência de seus países. Dados indicam compras significativas em 2022, com participação crescente de países emergentes.
Como o ouro se comporta frente a outros ativos?
O ouro tende a ter correlação inversa com o dólar e com títulos do Tesouro dos EUA, funcionando como proteção quando ativos de risco caem. Em momentos de alta de ações, o ouro pode perder valor, e o oposto tende a ocorrer em momentos de aversão ao risco.
O que determina o preço do ouro?
O preço depende de diversos fatores, incluindo instabilidade geopolítica, inflação, juros e a força do dólar. Um dólar forte costuma limitar ganhos do ouro, enquanto uma moeda mais fraca tende a impulsioná-lo.

