Ouro tem caído forte, mesmo com tensões geopolíticas e dólar em alta, pois atua cada vez mais como ativo de risco em 2026. Mudanças de participação para varejo e compradores alavancados explicam parte da tendência, enquanto a desdolarização sustenta o caso de investimento de longo prazo dentro de portfólios diversificados.
Atratividade de refúgio seguro sob escrutínio
Movimentos no preço do ouro desde o início do conflito com o Irã desafiaram as expectativas.
O livro de jogadas tradicional previa que tensões geopolíticas crescentes e incerteza econômica impulsionariam naturalmente o metal amarelo, repetindo o episódio do “Dia da Libertação” do ano passado e mantendo um rali impressionante de dois anos. Contudo, a realidade foi outra, com o ouro registrando uma queda de 15% no acumulado do mês.
Um dólar norte-americano mais forte foi um obstáculo, desencorajando compradores fora dos EUA, enquanto um ajuste de juros mais hawkish elevou o custo de oportunidade de manter um ativo que não rende. Ainda assim, o ouro resistiu a esse repique do dólar e das taxas ao longo de 2022, enfraquecendo essa tese tradicional.
Pelo contrário, o ouro está se comportando como um ativo de risco em 2026. A participação mudou para o varejo e para outros compradores alavancados, muitos dos quais são forçados a liquidar posições em momentos de estresse do mercado.
Ainda há um caso sólido de investimento de longo prazo para o ouro, especialmente em meio à desdolarização global em curso. No entanto, a volatilidade recente serve como um lembrete claro: a diversificação robusta de portfólio exige uma abordagem ampla.