Ouro dispara acima de US$ 4.500, com temores de guerra reacendendo demanda por refúgio

Ouro (XAU/USD) voltou a subir, rompendo a marca de US$ 4.500, impulsionado por receios geopolíticos. Com o conflito no Oriente Médio entrando na quinta semana, compradores em busca de proteção e investidores se mostram dispostos a pagar mais, diante de pressões inflacionárias crescentes. No momento da divulgação, o XAU/USD opera em US$ 4.510, após recuperar de mínimos diários de US$ 4.375.

Tensões geopolíticas acentuadas sustentam Ouro, Petróleo e o Dólar

O sentimento de mercado permanece desfavorável, com as ações dos EUA recuando para mínimas de sete meses. O aumento nos rendimentos de títulos do Tesouro e a força generalizada do dólar não impediram os compradores de ouro, que elevam os preços diante da incerteza crescente sobre o conflito no Oriente Médio.

O Índice Dólar (DXY), que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas, subiu 0,30% para 100,16, sustentado pela alta nos rendimentos. A nota do Tesouro de 10 anos dos EUA subiu cerca de dois pontos-base, para 4,428%.

Nas últimas 48 horas, manchetes geopolíticas têm impulsionado a ação dos preços. Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou as pressões, adiando a pausa nos ataques a instalações energéticas iranianas até 6 de abril, estendendo o intervalo em uma etapa no começo de sexta-feira.

No entanto, a Casa Branca envia sinais mistos, com o Wall Street Journal informando que o Pentágono está deslocando mais 10.000 tropas para a região.

Como resultado, investidores ignoraram a tentativa de desescalada de Trump, refletida no aumento dos preços da energia, com o WTI subindo quase 5% para US$ 98,33 por barril.

Recentemente, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que o Estreito de Hormuz está fechado.

Dados econômicos dos EUA

A Universidade de Michigan mostrou que as famílias americanas passam a ter uma visão mais pessimista sobre a situação econômica. O índice de confiança do consumidor em março caiu de 55,5 para 53,3, ficando abaixo da mediana de 54. As expectativas de inflação para os próximos 12 meses saltaram de 3,4% em fevereiro para 3,8%, enquanto a inflação prevista para os próximos cinco anos permaneceu em 3,2%.

Mercados monetários passaram a precificar mais aperto por parte do Fed, com seis pontos-base de aperto projetados até o fim do ano, diante do cenário de preços elevados de energia.

Perspectiva técnica: o ouro consolidou nesta sexta-feira, sem superar a resistência em torno de US$ 4.560, o que pode abrir espaço para novas altas. O momentum permanece relativamente fraco, conforme o RSI, mas o índice rompeu um pico anterior, sugerindo que os vendedores estão perdendo força.

Se o XAU/USD ultrapassar a máxima de quinta-feira de US$ 4.544, o caminho pode se abrir para testar a média móvel simples de 100 dias em US$ 4.605. Em etapas seguintes, ficam US$ 4.736 (alta diária de 20 de março) e US$ 4.800.

Por outro lado, caso o ouro feche o dia abaixo de US$ 4.500, o próximo suporte fica na mínima de 24 de março em US$ 4.306, seguido pela mínima de oscilação de 23 de março em US$ 4.098.