O petróleo WTI caiu cerca de 9% nesta segunda-feira, voltando a ficar abaixo de US$ 100 por barril e testando níveis próximos de US$ 90, após registrar uma das maiores variações intradiárias da história recente do mercado. As cotações chegaram a subir acima de US$ 101 no início da sessão, quando o ultimato de 48 horas do presidente dos EUA para o Irã expirou, antes de recuar drasticamente para uma mínima de cerca de US$ 84 e, ao longo do dia, buscar recuperar terreno perto de US$ 90.
Trump publicou no Truth Social que EUA e Irã tiveram “conversas muito boas e produtivas” sobre uma “resolução completa e total” de hostilidades, e ordenou ao Pentágono que adiasse todos os ataques a usinas de energia iranianas por cinco dias. A declaração reverteu o ultimato de 48 horas emitido no sábado, no qual ele ameaçava “destruir” a rede elétrica iraniana se o Estreito de Hormuz não fosse reaberto.
Teerã negou estar em negociações, e a Guarda Revolucionária Iraniana reiterou que atacaria infraestrutura de energia e dessalinização na região em caso de ataque aos ativos iranianos. A contradição entre o tom de desescalada de Trump e a negação de Teerã manteve os mercados sob pressão durante a tarde.
Do lado da oferta, a liberação coordenada de reservas de 400 milhões de barris pela IEA, anunciada em 11 de março, já começa a entrar no mercado, com os EUA contribuindo com 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) em uma janela de entrega estimada em 120 dias. O Goldman Sachs elevou a projeção do WTI para US$ 98 em março e US$ 105 em abril, observando que os fluxos pelo Estreito de Hormuz permanecem em cerca de 5% do volume normal.
O governador do Federal Reserve, Stephen Miran, disse na segunda-feira que ainda é cedo para avaliar o impacto inflacionário do choque nos preços de energia e que, na visão dele, cortes de juros ainda são justificáveis para sustentar o mercado de trabalho.
Análise Técnica
Na visão de curto prazo, o WTI negociava em torno de US$ 89,29 por barril, com viés levemente baixista, já que o preço fica bem abaixo da média móvel exponencial de 200 períodos, em torno de US$ 93,40, mantendo a linha intradiária sob pressão, mesmo diante de alguns repiques. O suporte imediato fica em US$ 88,75, o mais recente piso de reação, com um rompimento abrindo caminho para US$ 86,50 e, mais adiante, para a área de US$ 85,70. À parte, a resistência imediata encontra-se em US$ 90,00, seguida por US$ 90,50, onde ganhos anteriores enfrentaram barreira, com uma resistência mais expressiva em US$ 91,00, que precisaria ceder para desafiar o agrupamento da EMA de 200 períodos mais acima. Enquanto o preço permanecer abaixo de US$ 90,50, os movimentos de alta tendem a encontrar oferta, e uma quebra sustentável acima dessa faixa poderia aliviar o viés atual de baixa.