Economistas da DBS destacam que o BCE manteve as taxas, mas sinalizou riscos geopolíticos e inflação maior na zona do euro, com crescimento mais fraco. A monitorização da demanda diante de choques de oferta pode manter o cenário de alta de juros no 2º/3º trimestre se energia pressionar o euro.
ECB mantém taxas estáveis, mas sinaliza riscos hawkish
O BCE manteve as taxas de referência sem alterações nesta quinta-feira. Embora a orientação tenha sido equilibrada, o conselho está “monitorando de perto” os riscos de spillover das tensões geopolíticas em relação a fevereiro, quando dizia que a inflação se estabilizava em torno de 2%, abrindo espaço para cautela e possível pivô hawkish nas próximas reuniões, se os cenários de risco se materializarem.
Prevemos que os formuladores de política acompanhem sinais de que o choque de oferta atual começa a pesar sobre a demanda antes de agir. As projeções atualizadas elevaram a inflação (headline e core) e reduziram a perspectiva de crescimento, além de divulgar cenários para incorporar o risco de movimentos acentuados nos preços da energia.
Sob cenário adverso (petróleo e gás atingindo pico de US$119 por barril e €87/MWh), a inflação pode ter alta de até 0,9 ponto percentual em 2026 e 0,1 ponto em 2025, chegando a 1,8 ponto em 2026 sob um cenário severo. Lembre-se de que as expectativas de inflação são menores e a taxa básica é maior que no início do choque energético de 2022, o que sugere que a barreira para uma rápida elevação de juros está mais alta do que os preços de mercado sugerem.
Dependendo do tom da comunicação de política em abril, aumentos de juros podem retornar à mesa no 2º ou 3º trimestre, especialmente se o conflito se estender para o próximo trimestre.

