O petróleo WTI negocia ao redor de US$ 97,20 por barril, com quedas de aproximadamente 1,68% no dia, após tocar US$ 100,15 em intradiários, em meio a um equilíbrio entre condições de oferta em melhora e riscos geopolíticos crescentes.
Resumo do dia
A flexibilização parcial das sanções dos EUA à Venezuela permite que empresas retomem negócios limitados com a estatal petrolífera, ajudando a reduzir as preocupações com o fornecimento global, enquanto a retomada de fluxos de petróleo a partir das áreas de Kirkuk, no Iraque, para o porto de Ceyhan, na Turquia, reforça o cenário positivo.
Ao mesmo tempo, a Casa Branca anunciou uma dispensa temporária do Jones Act, permitindo que embarcações estrangeiras transportem combustível entre portos dos EUA por 60 dias, com o objetivo de melhorar a distribuição interna e reduzir gargalos logísticos.
O Tesouro dos EUA sinaliza que novas medidas para ampliar a oferta podem vir, incluindo, possivelmente, a flexibilização de restrições sobre volumes de petróleo iraniano ou o uso de reservas estratégicas.
Entretanto, os riscos geopolíticos continuam a sustentar um viés de alta. Tensões no Oriente Médio se intensificam após ataques de Israel ao campo de gás South Pars no Irã, seguidos por retaliações iranianas que atingem infraestrutura de energia no Qatar. Também foram relatados incidentes em instalações na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, alimentando temores de interrupções significativas no abastecimento global.
Uma declaração conjunta da União Europeia, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão enfatiza o compromisso de estabilizar os mercados de energia. Os signatários afirmam estar dispostos a colaborar com países produtores para ampliar a oferta e assegurar a passagem segura pelo Estreito de Hormuz, ao mesmo tempo em que pedem que o Irã cesse ameaças e ataques contra infraestrutura de energia e transporte marítimo.
Segundo o Rabobank, esse ambiente impõe riscos estruturais aos mercados de energia, com potencial de danos a infraestruturas críticas e a ameaça de reduções de oferta duradouras. O banco também aponta o risco de maior fragmentsção do mercado, sobretudo se os EUA impuserem novas restrições às exportações de petróleo.
No conjunto, embora haja sinais de melhora na oferta, o prêmio de risco geopolítico permanece elevado, limitando quedas adicionais para o WTI e mantendo os preços próximos de níveis psicológicos relevantes.
Em síntese, o cenário de oferta em recuperação convive com tensões regionais, deixando o mercado sensível a choques geopolíticos e a mudanças nas políticas de energia.