Resumo
Segundo a Reuters, o Porto de Los Angeles — o principal porto dos EUA — registrou queda abrupta nas importações em novembro, devido aos impactos das tarifas que seguem pressionando as cadeias globais de suprimentos. Houve queda de 11,5% em comparação com o ano anterior, totalizando 406.421 TEUs, já que empresas adiantaram envios para escapar de tarifas sobre uma variedade de bens de consumo e industriais.
Desempenho de exportações e comentários
O diretor-executivo destacou que a retração resulta tanto de estoque alimentado por tarifas quanto de um ambiente maior de incerteza comercial, que está reconfigurando os padrões de envio. As exportações também recuaram, com queda de 8,4% para 113.706 TEUs, em razão de tarifas retaliatórias sobre produtos agrícolas e manufaturados dos EUA e de acordos comerciais que excluem o país. Os volumes de exportação já caem há 11 meses consecutivos.
Perspectivas e volatilidade
Apesar da volatilidade, o throughput total deve ultrapassar 10 milhões de TEUs em 2025, aproximando-se dos níveis de 2024 e marcando o terceiro maior volume anual já registrado. Contudo, alertou que os fluxos de comércio assimétricos, influenciados pelas tarifas, devem persistir até 2026. “A incerteza veio para ficar”, disse, descrevendo tarifas como um entrave estrutural, não apenas uma interrupção temporária.
Contexto nacional e riscos futuros
A desaceleração no porto de Los Angeles reflete uma tendência mais ampla. As importações em todos os portos dos EUA caíram 7,8% em novembro, devido à menor demanda por produtos chineses e a efeitos sazonais ligados ao feriado de Ação de Graças. Olhando adiante, riscos legais e políticos ganham relevância. A Suprema Corte dos EUA deve deliberar, nos próximos meses, sobre a legalidade de tarifas impostas sob poderes emergenciais, decisão que pode redesenhar as ferramentas de política comercial do país, mesmo que não reduza fortemente o protecionismo.
Desafios para o comércio global
Para 2026, questões como conflitos geopolíticos, cessas frágeis no Oriente Médio e o risco de déficits fiscais elevados elevam a probabilidade de cortes adicionais em gastos públicos globais. Embora alguns custos de tarifas possam ser repassados aos consumidores, há possibilidade de reembolsos de impostos no início do próximo ano, o que pode oferecer um impulso temporário à demanda, configurando um cenário complexo para comércio, inflação e consumo.

