Em entrevista publicada neste fim de semana pelo jornal Les Echos, o presidente francês Emmanuel Macron indicou estar cogitando uma retaliação comercial ao estilo americano contra a China.
Afirmou que manteve conversas com autoridades chinesas e que, se não houver resposta, os europeus poderão, nos próximos meses, adotar medidas enérgicas seguindo o exemplo americano, como a aplicação de tarifas sobre produtos chineses.
A expressão ‘nos próximos meses’ é particularmente relevante, embora não fique claro quais instrumentos a UE poderia mobilizar.
Tentei mostrar aos chineses que o superávit comercial deles é insustentável, pois sufoca seus clientes, principalmente ao reduzir as importações de nossos produtos.
Já tratei desse tema antes: os EUA deixaram de ser apenas um fator de mudança nas relações globais, influenciando a forma como o resto do mundo se relaciona. Frequentemente, grandes países tentam pressionar parceiros menores, ou, neste caso, dois gigantes comerciais colidem.
O déficit do comércio de bens da UE com a China aumentou quase 60% desde 2019, e a China mira agora o mercado automotivo europeu.
A questão é que a Europa cedeu rapidamente às tarifas americanas, o que não demonstra um posicionamento suficientemente firme. A fragmentação da zona do euro dificulta ainda mais a construção de uma posição europeia unificada.