BOJ pode atrasar aumento de juros até março, dizem assessores; cautela com economia fraca

Um assessor sênior do gabinete do primeiro-ministro japonês sinaliza que o Bank of Japan provavelmente não aumentará as taxas antes de março, afirmando que é preciso confirmar se um grande pacote fiscal está elevando a demanda interna. O debate evidencia cautela entre operadores do mercado e especialistas sobre o timing do aperto monetário.

Visão de quem orienta as políticas

Goushi Kataoka — ex-integrante do conselho do BOJ e agora integrante do painel de estratégia econômica de Sanae Takaichi — informou à Bloomberg que espera um orçamento suplementar em torno de ¥20 trilhões, bem acima dos ¥13,9 trilhões do ano anterior. Se aplicado com eficácia, esse estímulo poderia fortalecer a demanda já no início do próximo ano, abrindo espaço para um possível ajuste de juros “já em março”.

Economia ainda fragilizada PIB do terceiro trimestre caiu e a inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, continua abaixo de 2%.

Kataoka acrescenta que, nesse cenário, uma alta em janeiro é improvável.

Essa cautela é similar à de Masazumi Wakatabe, ex‑vicegovenador do banco, que também apontou condições econômicas fracas. As posições ressaltam a tensão entre expectativas de aperto precoce no mercado e pedidos de paciência vindos de painéis consultivos.

Em uma reunião recente, a primeira-ministra Takaichi conversou com o governador do BOJ, Kazuo Ueda. O governador explicou o andamento gradual do processo de normalização, e Takaichi demonstrou compreensão. Kataoka ressaltou que não espera pressão direta sobre o BOJ na próxima reunião de 19 de dezembro.

Principais pontos

  • Orçamento suplementar esperado: em torno de ¥20 trilhões
  • PIB do 3º trimestre em contração
  • Inflação subjacente abaixo de 2%
  • Expectativas de aperto precoce versus cautela institucional